Muitas pessoas que tiveram COVID-19 estão com dificuldade para voltar ao mesmo paladar que tinham antes da doença. É muito frustrante perder a capacidade de sentir prazer com a comida. Na busca incansável por aqueles “bons momentos guardados na memória”, pode haver uso exagerado de sal ou açúcar, tendência a preferir alimentos mais gordurosos ou industrializados, além do exagero nas quantidades de comida ingeridas. Esses novos hábitos alimentares certamente trarão consequências negativas para o corpo, como aumento do risco de diabetes, obesidade ou hipertensão.
A diminuição do paladar (hipogeusia) ou até mesmo sua ausência (ageusia) podem acontecer na COVID-19 por efeito direto do vírus sobre os quimiorreceptores gustativos na boca mas também como consequência da diminuição de olfato, uma vez que um percentual importante do que nosso cérebro entende como “gosto” depende da olfato retronasal (moléculas de cheiro que sobem até o nariz pela garganta, quando o alimento está na boca).
No Brasil é comum encontrarmos produtos com glutamato monossódico, um realçador artificial de sabor que deve ser evitado, pois possui potencial de gerar câncer quando consumido com frequência. Leia os rótulos e evite alimentos que o contenham.
Existem óleos essenciais puros que podem ser utilizados na alimentação, conferindo mais sabor sem comprometer a qualidade do alimento natural.

Outra possibilidade interessante são lápis realçadores de sabor da marca OCNI (Tradução: “Objetos Comestíveis Não Identificados”), fabricados na França com ingredientes exclusivamente vegetais e em sua maioria orgânicos. A proposta é bem inovadora, divertida e com uma estética atraente: apontar os lápis no prato e com isso conferir mais sabor aos alimentos.


Caso estas opções não estejam disponíveis, sempre é possível encontrar temperos naturais que estimulem o paladar. Geralmente os temperos picantes, como pimenta, curry e gengibre podem estimular outras vias, gerando “ardência” e sendo percebidos mais facilmente. Alterne texturas, traga outras informações sensoriais para sua refeição. Se seu paladar está diminuído, uma textura mais crocante vai trazer outros estímulos, como o tato e até mesmo a audição. Um prato colorido e bem apresentado, vai trazer informações visuais que podem te fazer “comer com os olhos”. Todas essas informações em conjunto podem ajudar seu cérebro a “relembrar” os sabores dos alimentos.
Algumas pessoas sofrem com distorções nos sabores, principalmente durante o processo de recuperação, meses após a infecção COVID-19. Nesses casos, alguns temperos podem ter um gosto muito ruim, geralmente alho e cebola são mal tolerados. Esse fenômeno é chamado de disgeusia e representa um momento bem difícil, porém transitório. Provavelmente, durante o processo de recuperação, acontecem “erros de interpretação” e os sabores que antes eram apreciados podem se tornar desagradáveis, com gostos nunca antes sentidos ou lembrando até mesmo alimentos estragados ou podres. Caso você esteja passando por essa fase desafiadora, não desanime! Ela vai passar!
Continue se esforçando para manter uma alimentação saudável e converse com seu médico sobre possibilidade de medicamentos para reduzir as náuseas e as distorções de sabores, caso seja necessário. Costuma ser nessa fase que os pacientes perdem mais peso, por não tolerarem nem mesmo o básico para atender a suas demandas nutricionais.
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